POR QUE POR QUE NÃO COMER?

Apesar da imagem geralmente divulgada ao público de “fazendas felizes”, não é isso o que realmente ocorre na esmagadora maioria dos casos. As atuais granjas industriais, onde são criados mais de 90% dos animais ditos “de produção”, mais se parecem com fábricas – a diferença é que as “máquinas” são os próprios animais, explorados e utilizados como se fossem qualquer objeto inanimado.

 

Os frangos ditos “de corte” vivem durante cerca de 40 dias, quando, a um ritmo de crescimento acelerado ao máximo devido à seleção genética e a rações específicas, atingem o peso de aproximadamente 2,5 Kg e são levados para o abate. Durante este crescimento acelerado, muitos animais perdem a capacidade de se locomover devido à superlotação dos galpões e ao crescimento desproporcional do corpo em relação ao seu esqueleto. A maioria dos porcos é criada em um sistema de confinamento intensivo semelhante.

No caso das galinhas poedeiras (para produção de ovos) e porcas reprodutoras, a realidade é ainda mais degradante. Esses animais são confinados em gaiolas pouco maior do que os seus corpos, de maneira que não conseguem esticar os membros ou mesmo se virar, durante 18 meses ou mais.

Embora os bois e vacas ditos “de corte” passem a maior parte da sua vida em sistema extensivo (pasto), a parte final de suas vidas também é geralmente em confinamento, visando uma alimentação controlada à base de ração e, assim, uma engorda mais rápida.

 

 A produção industrial de leite de vaca pode ser considerada ainda mais cruel do que a criação que visa à produção de carne. Apesar do mesmo final – o abatedouro –, as vacas passam grande parte do dia enclausuradas em confinamento enquanto é feita a extração mecânica do leite, são constantemente inseminadas artificialmente para que possam ser ordenhadas e, geralmente, têm seus filhotes separados de si à força, em apenas um ou dois dias após o parto.

 

Os animais que consumimos, como vacas, porcos, galinhas e peixes, são seres sencientes (capazes de sofrer e experimentar contentamento) e que, portanto, merecem respeito e consideração moral. Além disso, esses animais são capazes de tomar conta de si mesmos, de escolherem o que querem para si. Nessa perspectiva, tais animais possuem valor intrínseco, ou seja, devem ser considerados como fins em si mesmos – e não como mero objetos para satisfazer os interesses humanos.

 

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